"Naquela mesa", de Mônica Granja
Membro-fundador da Academia de Ciências e Letras de Sabará
Cadeira 14. Patrono: Honório Armond
Naquela mesa
Em qual mesa?! Na do Bar Turista, onde levava seus quatro filhos pra tomar guaraná aos domingos?! Na do Querubim, onde se sentou no seu último Carnaval e até foi fotografado, em 1996?! Na Ratoeira, onde bebia as Brahmas com uma pinga?! Ou aquela no Cê Qui Sabe, onde, uma única vez, mais madura, dividi com ele um copo de cerveja, na verdade, da espuma, como fazia quando mocinha?!
Saudade! Saudade! Saudade do que poderia ter sido se eu, sua primogênita, o tivesse compreendido antes, bem antes dos quatro anos em que, após briga triste e feia, me apartei por um ano, dizendo: “Não tenho mais pai!” E fiquei órfã, também, de pai.
No entanto, o tempo e sua sabedoria nos curaram.
Fiquei ao seu lado, no hospital, nos derradeiros 15 dias... Eu o vi falecer, no quarto 8 da Santa Casa. Com apenas 67 anos, após outro infarto, no dia 27 de maio de 1996.
Orei! Chorei e, creiam ou não, aqui, em nossa casa, poucos dias depois, o vi.
Sim! Certa tarde, assistia TV com meu caçula. De repente, ele passou perto da janela. Eu gritei: “Pai!” Meu filho: “Vô!” Corremos para fora, mas... o Sr. Marques se fora. Viera só nos ver um instante.
Ficaram as lições de alegria e dor. As lembranças de infância, adolescência e parte da vida adulta.
Quero guardar em mim o seu melhor, meu pai!
Por isso, quando ouço o samba “Naquela mesa”, paro, penso no senhor e o sinto perto de mim, agradecendo a sua proteção, que, enfim, compreendo, embora não aprove ainda certos métodos. Digo-lhe: gratidão! Paz e luz! Amor e bem, meu pai!

Pois num é que gostei! A vida é assim mesmo, precisamos tempo pra aprender algumas coisas. Que bom que você aprendeu algo sutil sobre o amor, né Mônica?
ResponderExcluirAbraços
Isabel Cristina, a mais bela menina! 😉
"Naquela mesa tá faltando ele" e ela e tantos...
ResponderExcluirEssa música nos acalenta.
E você está acalentada pelo amor.
Bjo
Selma
Vale um banco na cozinha? Um banco que meu pai fez?
ResponderExcluirMeu avô, pai do meu pai, vinha lá rua da lagoa, hoje Marquês de Sapucaí.
Um clique que sua lembrança retrata, tão bem que despertou o banco da cozinha da casa da cozinha onde minha infância rolou.
Encontro meu avô, eu de três anos apenas, ficava alí para ouvir suas histórias. E histórias que não consigo lembrar. Mas o banco este sim.
Hoje você fez-me viajar no tempo, relembrar o tempo da inocência.
Banco não existe mais, meu avô só o nome e um retrato 4x3 de sua carteira de trabalho na Belgo Mineira.
Obrigado Mônica, por mais este momento de recordações.
"Não guardei nada de cor" (como o verso da música) , mas o banco repito, está na remoticidade do tempo.
Um abraço longo e apertado,
*Evandro de Paula*
Uma homenagem afetuosa, em texto tão lindo e emocionante!
ResponderExcluirParabéns!
Darsoni
Que texto lindo e emocionante! Uma lembrança cheia de amor, saudade e, ao mesmo tempo, gratidão por tudo que foi vivido. Algumas pessoas partem, mas deixam para sempre suas histórias e seu amor dentro de nós.
ResponderExcluirJuraci
Lindo texto Mônica! Em todas as mesas!... O amor, as boas lembranças apontarão a falta... Que bom ser lembrado com tanto carinho! Mirtes
ResponderExcluirMuito bom estas recordações e acompanhadas da lembrança de quem estava ao lado.. O tempo é nosso maior mestre.
ResponderExcluirCaríssima Professora Mônica!!
ResponderExcluirBelíssimas palavras!! Colocadas na perfeita harmonia com o fato!!! Sim, naquela mesa continua faltando ele!! Também tive discórdias com o meu "ele"!! Não chegaram a serem tão profundas mas gostaria que não tivessem acontecido! Depois de ser pai aprendi outras verdades, outros valores e outras realidades que teriam evitado estas discórdias....mas foi o professor "tempo" que me ensinou!!
Parabéns pelo texto!! Claro, objetivo, emocionante e carregado de sentimentos como o tema merece!!
Forte abraço!!
Cláudio J R Vianna
Mônica belo texto. Memórias de infância e de saudade.
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