"Salvem as Bandas", de Lucas Duarte Neves

Membro-fundador da Academia de Ciências e Letras de Sabará
Cadeira 4. Patrono: Antônio Pinto Júnior


SALVEM AS BANDAS
DESAFIOS E PERCURSOS PARA AS BANDAS DE MINAS COMO PATRIMÔNIO IMATERIAL DE MINAS GERAIS


Em 22 de novembro de 2025, aconteceu o Primeiro Encontro Estadual de Bandas, em Belo Horizonte, o qual reuniu quase quarenta bandas de todas as regiões do estado, com o intuito de celebrar o reconhecimento das Bandas de Música como Patrimônio Imaterial do Estado pelo IEPHA-MG. Este foi um marco histórico para as bandas, mas, ao mesmo tempo, representa um momento importante de cobrança e estímulo ao trabalho das corporações musicais, para que possam aprimorar cada vez mais o seu serviço à comunidade como instituições de ensino musical.

Esse momento foi um grande marco, mas gostaria de traçar aqui um breve histórico das ações que levaram a esse reconhecimento e também apontar os desafios que as entidades musicais poderão enfrentar para que esse reconhecimento não fique apenas no papel.

Atualmente, temos cerca de 700 bandas civis cadastradas oficialmente no estado de Minas Gerais. Isso demonstra o quanto esse tipo de instituição é importante para a cultura mineira. Porém, a maioria desses grupos vive uma situação precária em termos de recursos humanos e infraestrutura para manter as atividades de ensino musical, dependendo, muitas vezes, do trabalho voluntário de poucas pessoas, que, em grande parte, não têm formação para conduzir um processo de ensino e lidar com todas as suas peculiaridades.

Diante desse cenário preocupante, ainda durante o período de isolamento da pandemia, vários maestros e músicos de bandas começaram a se articular em busca de melhorias nas condições das corporações musicais espalhadas pelo estado. Perceberam, a partir dessa articulação, que, se não houvesse uma ação unificadora capaz de estabelecer algum mecanismo de salvaguarda, esses grupos tão tradicionais de Minas Gerais poderiam, pouco a pouco, extinguir-se.

Estabeleceu-se, então, em outubro de 2021, o Movimento Salvem as Bandas, cujo principal objetivo é criar um elo entre as bandas de Minas, buscando identificar problemas e articular, junto ao poder público, ações estruturantes respaldadas pela representatividade de um grande grupo de maestros, músicos e gestores.

Esse movimento de união é histórico. Primeiramente, pela oportunidade de termos comunicação fácil e rápida com as diversas realidades e situações das bandas do estado. Em segundo lugar, porque foi a partir dele que chegamos ao reconhecimento pelo IEPHA, tornando possível buscar novas alternativas para a manutenção dos trabalhos das bandas de forma mais articulada, assertiva e abrangente.

Tudo isso que está acontecendo é muito importante, mas seria ainda mais significativo se o reconhecimento como Patrimônio Imaterial do Estado pudesse trazer algo mais concreto às corporações e sociedades musicais. Infelizmente (ou felizmente, talvez), as agremiações musicais dependem de recursos provenientes, na maioria das vezes, do poder público, principalmente municipal e estadual e, em menor escala, do governo federal.

Uma ação de reconhecimento que não facilitasse o acesso dessas entidades aos mecanismos de apoio e distribuição de recursos pouco significaria diante dos grandes desafios que enfrentam para administrar e realizar o ensino musical.

Felizmente, os primeiros frutos já estão sendo colhidos. O Movimento Salvem as Bandas, por meio de uma articulação com o Legislativo estadual, mais especificamente com a deputada estadual Lohanna, conseguiu, por meio de uma emenda parlamentar no valor de R$ 1.000.000,00, lançar um edital de apoio às bandas de música que está atendendo instituições de todo o estado por meio de três modalidades: recebimento de kits de instrumentos musicais; repasse mensal para maestros e maestrinas; e reativação de bandas paralisadas.

Nunca foi realizado um edital tão abrangente no estado. Essas três modalidades contemplam, senão todas, ao menos as principais demandas das corporações: instrumentos musicais de qualidade para os alunos, remuneração mensal para maestros e maestrinas e incentivo à reativação de bandas paralisadas. Como dito anteriormente, esse momento é histórico e deve ser comemorado pelas instituições.

Diante desse panorama, resta continuar na luta por melhorias e pela continuidade das ações. Como membros de bandas de música, precisamos fazer o nosso melhor e estar atentos às ações políticas no âmbito da cultura, para fazer valer a salvaguarda que um patrimônio imaterial do Estado merece.

Sabemos que, ao mesmo tempo em que o trabalho de ensino musical das bandas deve ser mantido e valorizado pelo Estado e pelas comunidades em geral, carregamos agora uma responsabilidade ainda maior, e isso depende de quem estará à frente dos trabalhos realizados.

Aos maestros e maestrinas, é necessário buscar cada vez mais conhecimento e aprimoramento das técnicas de ensino, para que a banda possa se comunicar com a sociedade de maneira mais simples e próxima. Aos gestores, é necessário estar atento às oportunidades e ter pulso firme na busca por apoio. Aos músicos, de forma geral, tenham consciência de que a oportunidade de estudar um instrumento é fruto de muito sacrifício e muita luta; valorizem isso estudando e aproveitando ao máximo os benefícios que a música pode proporcionar.

Que esse movimento prospere cada vez mais e que mais pessoas possam ver e sentir a magia das Bandas de Música!

Um salve às bandas!

Visite o site do movimento Salvem as Bandas:

https://salvemasbandas.org.br/ 



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